O Great Barrier Reef Marine Park é um parque marinho federal, não um parque nacional terrestre. Foi criado pelo Great Barrier Reef Marine Park Act 1975 e é administrado pela Great Barrier Reef Marine Park Authority — a GBRMPA, que hoje também se apresenta como Reef Authority. Cobre 344.400 km² ao largo de Queensland e corresponde a cerca de 99% do bem da UNESCO inscrito em 1981. A diferença entre esses dois recortes não é erro: o parque marinho e a área de Patrimônio Mundial não coincidem por completo.
Ficha do parque
Verificado em 11/09/2026- Nome oficial
- Great Barrier Reef Marine Park Na redação em português deste acervo: Parque Marinho da Grande Barreira de Corais. Documentos antigos da UNESCO às vezes usaram “National Park”; a designação legal é marine park.
- País e região
- Austrália — Oceania
- Localização
- Costa nordeste de Queensland Do extremo norte de Queensland até imediatamente a norte de Bundaberg. Largura entre 60 e 250 km. A GBRMPA descreve cerca de 2.300 km de extensão ao longo da costa.
- Ano de criação
- 1975 Great Barrier Reef Marine Park Act 1975, Lei n.º 85 de 1975.
- Área protegida
- 344.400 km² Área oficial do Marine Park na declaração da GBRMPA (equivalente a 34.440.000 ha). A área do bem da UNESCO é 348.000 km². A diferença são ilhas e águas internas de Queensland, fora da jurisdição federal do parque marinho.
- Categoria de manejo
- Parque marinho federal — uso múltiplo zonado Não é unidade de proteção integral no sentido terrestre. O Zoning Plan define zonas que vão de uso geral a preservação e “no-take”. A UNESCO descreve o bem como área de uso múltiplo desde a inscrição.
- Bioma
- Ecossistema marinho de recife de coral A GBRMPA registra que os recifes de coral cobrem cerca de 7% do Marine Park. O restante inclui ervas marinhas, manguezais, jardins de esponjas e águas oceânicas profundas.
- Administração
- GBRMPA Great Barrier Reef Marine Park Authority, agência independente do governo australiano. Queensland administra o Great Barrier Reef Coast Marine Park contíguo e a maior parte das ilhas.
- Patrimônio Mundial
- UNESCO, desde 1981 Bem natural, dossiê 154. Critérios (vii), (viii), (ix) e (x). Área do bem: 348.000 km².
- Tipo de ecossistema
- Parques marinhos
Como o parque foi criado
O Marine Park existe por lei federal. O Great Barrier Reef Marine Park Act 1975 criou a autoridade e o próprio parque, e define a jurisdição sobre a água, o espaço aéreo acima e o subsolo sob o leito marinho. Emendas de 2007 e 2008, registradas pela UNESCO, explicitaram a proteção de longo prazo da Great Barrier Reef Region e as obrigações da Austrália sob a Convenção do Patrimônio Mundial.
A inscrição na Lista veio em 1981, seis anos depois da lei. A UNESCO registrou então praticamente o ecossistema inteiro, numa faixa contínua de 14 graus de latitude, de 10°S a 24°S. A avaliação da IUCN, citada na síntese retrospectiva, afirmou que, se apenas um recife de coral no mundo pudesse entrar na Lista, esse deveria ser o escolhido.
Há um ponto que ainda gera confusão em textos antigos: alguns documentos da UNESCO dos anos 1990 usaram a expressão “Great Barrier Reef National Park”. A designação legal, o órgão gestor e o mapa de zoneamento são de marine park. Neste guia usamos o nome oficial.
Paisagens
A síntese da UNESCO descreve o bem como o mais extenso ecossistema de recife de coral do mundo: cerca de 2.500 recifes individuais, mais de 900 ilhas — de cays arenosos a ilhas continentais, uma delas com mais de 1.100 metros de altitude — e uma profundidade que vai das águas rasas costeiras a mais de 2.000 metros além da plataforma. A GBRMPA publica números próprios para o Marine Park: cerca de 3.000 recifes de coral, 600 ilhas continentais, 300 cays e cerca de 150 ilhas de mangue costeiro.
A diferença entre 2.500 e 3.000 recifes não é resolvida em silêncio: são recortes e datas distintas, um da síntese da UNESCO e outro da autoridade do parque. O que as duas fontes afirmam em conjunto é a escala — um mosaico que a UNESCO descreve como visível do espaço, em cordão ao longo da costa nordeste.
A jurisdição do Marine Park, segundo a UNESCO, termina na linha de baixa-mar ao longo do continente — com exceção de áreas portuárias — e em torno das ilhas, salvo cerca de 70 ilhas geridas pela Commonwealth. Isso explica, em parte, por que o bem da UNESCO é maior do que o parque marinho federal.
Ecossistemas
A GBRMPA é explícita: os recifes de coral tornaram o lugar famoso e, ainda assim, cobrem cerca de 7% do Marine Park e da área de Patrimônio Mundial. O restante é um gradiente de habitats — ervas marinhas, manguezais, areia, jardins de algas e de esponjas, comunidades entre recifes e águas oceânicas a mais de 250 km da costa.
A UNESCO descreve esse gradiente em três eixos: latitude, posição na plataforma e profundidade. Há recifes de franja, recifes de meio de plataforma e recifes externos expostos; um terço do bem fica além da borda rasa, em talude continental e planícies abissais. O critério (viii) liga essa morfologia a pelo menos quatro ciclos glaciais e interglaciais: quando o mar baixou, os recifes viraram colinas calcárias; quando subiu, formaram-se ilhas, cays e novas fases de crescimento coralíneo.
A gestão não é homogênea. Em vez de um único grau de proteção, o Marine Park é dividido em zonas, cada uma com atividades permitidas e proibidas. A UNESCO registra cerca de 115.000 km² de zonas “no-take” e “no-entry” como núcleo de conservação.
Fauna e flora
Fauna
Há duas listas oficiais em circulação, e elas não são idênticas. A síntese da UNESCO, que descreve o bem inscrito, fala em mais de 1.500 espécies de peixes, cerca de 400 de corais, 4.000 de moluscos e cerca de 240 de aves. A GBRMPA, que descreve o Marine Park, publica números mais altos em vários grupos. Reproduzimos as duas, cada uma com a sua fonte.
A GBRMPA lista, para o Marine Park:
- 450 tipos de corais duros e ao menos 1.000 espécies de corais moles e penas-do-mar;
- mais de 100 espécies de águas-vivas;
- mais de 6.000 variedades de moluscos;
- mais de 1.000 espécies de vermes;
- 1.625 tipos de peixes;
- 14 tipos de cobras-marinhas;
- 6 espécies de tartarugas marinhas;
- 20 espécies de aves marinhas que nidificam e 41 de aves costeiras;
- mais de 1.300 espécies de crustáceos e 630 de equinodermos;
- ao menos 2.500 espécies de esponjas;
- 136 variedades de tubarões e raias;
- mais de 30 espécies de baleias e golfinhos.
A UNESCO destaca, entre as espécies ameaçadas, o dugongo e a tartaruga-verde. Raine Island é descrita como a maior área de reprodução de tartaruga-verde do mundo. Seis das sete espécies de tartarugas marinhas do planeta ocorrem no bem. As águas são área significativa de cria da baleia-jubarte.
Flora
A UNESCO registra que as águas rasas sustentam metade da diversidade mundial de manguezais e muitas espécies de ervas marinhas. As ilhas continentais abrigam milhares de espécies de plantas; os cays têm flora própria. A vegetação das ilhas é ligada, no critério (ix), a processos como a dispersão de sementes pelo pombo-imperial-pego.
Importância ambiental
A GBRMPA afirma que a Grande Barreira corresponde a cerca de 10% dos ecossistemas de recife de coral do mundo. A UNESCO descreve o bem como um dos sistemas naturais mais ricos e complexos da Terra, e o único da Lista com essa amplitude de biodiversidade marinha.
A mesma síntese lista pressões naturais e humanas que não cabem em nota de rodapé: ciclones, surtos de coroa-de-espinhos, descargas de água doce, turismo, navegação, portos e o legado de ações anteriores à inscrição. O Outlook Report de 2009, citado pela UNESCO, apontou a mudança do clima nas décadas seguintes como o desafio de longo prazo, ao lado da queda da qualidade da água, da perda de habitats costeiros e de impactos da pesca.
A GBRMPA e a UNESCO descrevem o recife também como Sea Country de mais de 70 grupos de Traditional Owners, com conexão ao ambiente marinho descrita pela autoridade como superior a 60 mil anos. Acordos de uso tradicional de recursos marinhos (TUMRAs) e acordos de uso da terra cobriam, na data da síntese, cerca de 30% da faixa costeira do bem.
Patrimônios reconhecidos
Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1981, como bem natural, sob o dossiê 154. A inscrição se apoia em quatro critérios:
- Critério (vii) — beleza natural excepcional acima e abaixo da água, inclusive o mosaico visível do espaço e sítios como as Whitsundays, Hinchinbrook e Raine Island.
- Critério (viii) — história geológica e geomorfológica do maior ecossistema de recife de coral do mundo, moldada por ciclos de nível do mar.
- Critério (ix) — processos ecológicos e oceanográficos em curso, da conectividade larval à colonização vegetal das ilhas.
- Critério (x) — habitats de importância global para a conservação, inclusive dugongo, tartarugas marinhas e dezenas de milhares de espécies marinhas e terrestres.
O bem não está, na data desta verificação, na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo. A UNESCO, porém, tem acompanhado o estado de conservação em decisões sucessivas e enviou missões de monitoramento. Registramos o acompanhamento porque ele faz parte da ficha pública do bem — sem transformar cada decisão em prognóstico.
Melhor período para conhecer
Não existe um mês universalmente melhor. A unidade atravessa 14 graus de latitude: o que vale no extremo norte não vale junto a Bundaberg. A UNESCO e a GBRMPA descrevem variáveis que de fato mudam a experiência — ciclones, eventos de branqueamento, descargas de água doce, períodos de desova de coral e de agregação de peixes — e nenhuma delas se reduz a um calendário fixo.
Condições variáveis não são afirmadas neste guia. Fechamentos, restrições de zona, condições do mar e alterações de funcionamento são divulgados pela GBRMPA e pelos operadores licenciados, e podem mudar de um dia para o outro. Consulte o canal oficial antes de se deslocar.
Formas oficiais de acesso
O Marine Park não tem uma portaria única. A entrada se dá por dezenas de pontos da costa de Queensland e por ilhas sob jurisdições distintas — federal e estadual. A UNESCO descreve o bem como área de uso múltiplo desde a inscrição: turismo, pesca, navegação e uso tradicional convivem sob zoneamento e licenças.
Um ponto que gera confusão frequente: ilhas declaradas parque nacional por Queensland não são o Marine Park. São outra categoria, outra administração e outras regras, ainda que muitas delas estejam dentro do perímetro do bem da UNESCO. Visitar uma ilha estadual não equivale, por si, a estar no parque marinho federal — e o inverso também vale.
Não publicamos valores, horários nem pontos de venda. Taxas, licenças, saídas de embarcação e atividades permitidas em cada zona são definidos e alterados pela GBRMPA e, nas ilhas, pelo governo de Queensland. A única fonte válida para esses dados, na data em que você for visitar, é o canal oficial indicado na seção Verificação e site oficial.
Regras de visitação
O Marine Park é área de uso múltiplo zonado. Essa categoria não equivale à proteção integral de um parque nacional terrestre: admite usos comerciais e recreativos previstos em lei e no Zoning Plan. A conservação, segundo a UNESCO, permanece o objetivo primário. Na prática, e de forma estrutural, isso significa que:
- Cada zona tem regras próprias. O que é lícito numa zona de uso geral pode ser proibido numa zona de preservação ou “no-take”.
- Não é permitido coletar, danificar ou retirar corais, animais ou qualquer elemento natural fora das hipóteses previstas na zona e na licença.
- Atividades como pesquisa, filmagem profissional e certos usos comerciais dependem de autorização da GBRMPA.
- O uso tradicional por Aboriginal e Torres Strait Islander peoples é reconhecido e regulado por instrumentos próprios (TUMRAs e ILUAs), não pelo calendário do visitante ocasional.
- As orientações das equipes de campo, a sinalização e o mapa de zoneamento vigente prevalecem sobre qualquer informação publicada previamente, inclusive sobre este guia.
Cuidados ambientais
Em um recife com visitação concentrada em uns poucos pontos e com pressões que já estão documentadas — qualidade da água, tráfego, contato físico com o coral — o impacto individual se multiplica. Os cuidados abaixo respondem a esse quadro.
- Não toque, não pise e não quebre coral. O recife é organismo vivo, não piso.
- Não alimente peixes nem outros animais marinhos. Alterar o comportamento alimentar é um dos danos mais comuns em áreas de visitação.
- Não colete conchas, areia, fragmentos ou organismos. A regra estrutural do zoneamento é de não extração, salvo hipótese prevista.
- Leve todo o seu resíduo de volta. A UNESCO lista o detrito marinho entre as pressões emergentes.
- Respeite a distância de tartarugas, dugongos e cetáceos. São espécies que a própria inscrição cita como razão de ser do bem.
Nossa leitura ampliada desses princípios está no guia de planejamento responsável de visitas.
Acessibilidade
Informação não confirmada em fonte oficial. Nas fontes oficiais consultadas para esta ficha, não localizamos um documento público e atualizado que descreva de forma completa as condições de acessibilidade das áreas abertas à visitação do Marine Park — pontões, embarcações, ilhas e centros de visitantes variam por operador e por jurisdição.
Optamos por registrar essa lacuna em vez de descrever condições que não pudemos verificar. Quem precisa dessa informação deve procurar a GBRMPA e, no trecho estadual, o órgão de Queensland responsável pela ilha ou pelo Coast Marine Park. Assim que localizarmos documentação oficial sobre o tema, atualizamos esta seção e a data de verificação.
Verificação e site oficial
Data da verificação: . Nessa data, todos os dados desta ficha foram conferidos nos documentos listados em Fontes.
Administração responsável: Great Barrier Reef Marine Park Authority (GBRMPA / Reef Authority) — é o órgão a consultar para qualquer informação sujeita a mudança no Marine Park. Ilhas e o Coast Marine Park remetem ao governo de Queensland.
- Portal oficial da autoridade: gbrmpa.gov.au e reefauthority.gov.au
- Ficha do bem na UNESCO: Great Barrier Reef, dossiê 154
- Lei de criação: Great Barrier Reef Marine Park Act 1975
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Fontes
-
UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial. Great Barrier Reef — ficha
do bem, síntese retrospectiva, critérios (vii), (viii), (ix) e (x),
integridade e requisitos de gestão. Dossiê 154. Área do bem: 348.000 km².
Inscrição em 1981. Organismo internacional
whc.unesco.org/en/list/154 -
Great Barrier Reef Marine Park Authority. Fascinating facts about
the Great Barrier Reef: 344.400 km², criação pelo Act de 1975, cerca de 3.000
recifes, 7% de cobertura coralínea e listas de fauna. Página atualizada em
2 de setembro de 2026. Órgão oficial
reefauthority.gov.au/node/60 -
GBRMPA. Area statement for the Great Barrier Reef Marine Park
(agosto de 2004, vigente em fevereiro de 2023): Marine Park 344.400 km²; World
Heritage Area 348.000 km²; Region cerca de 346.000 km².
Documento de gestão
Declaração oficial de áreas, eLibrary da GBRMPA -
Austrália. Great Barrier Reef Marine Park Act 1975, Lei n.º 85
de 1975 — cria a Authority e o Marine Park.
Legislação
legislation.gov.au — GBRMP Act 1975
Números de espécies da UNESCO e da GBRMPA são apresentados em separado, cada um com a sua fonte. Não homogeneizamos as duas listas.