Editorial
Política de correções
Um acervo que trabalha com dado verificável vai errar em algum momento — por descuido, por leitura equivocada de um documento ou porque a fonte mudou depois da nossa conferência. O que distingue uma publicação séria não é a ausência de erro, é o que ela faz quando o erro aparece.
Como apontar um erro
Escreva para [email protected]. É o endereço reservado para isso, e mensagens que chegam nele entram na frente de qualquer outro assunto da redação.
Quanto mais preciso for o apontamento, mais rápido conseguimos verificar. Se puder, inclua:
- Qual página contém o problema — o nome do guia já basta.
- Qual trecho está incorreto, transcrito ou descrito de forma reconhecível.
- Qual seria o dado correto, se você souber.
- Onde está esse dado correto, de preferência o documento ou a página oficial em que ele aparece.
Nada disso é obrigatório. Se você apenas desconfia de que algo está estranho e não tem como comprovar, escreva assim mesmo: a desconfiança de um leitor atento já é motivo suficiente para reabrirmos as fontes. Vários acertos importantes começaram com uma mensagem curta dizendo que um número parecia grande demais.
Classificação
Os quatro tipos de correção
Cada tipo tem um tratamento diferente. A distinção não é burocracia: ela decide se a mudança precisa ou não ficar registrada de forma visível para o leitor.
Erro factual
A página afirma algo que contraria a fonte oficial. É o caso mais grave: um número trocado, uma categoria de manejo errada, um órgão gestor incorreto, uma data que não corresponde ao ato legal. Correção imediata, com registro visível quando o dado é relevante para o entendimento do leitor.
Dado desatualizado
A informação estava correta quando foi verificada e deixou de estar, porque a fonte oficial mudou depois. Não é falha de apuração, é o envelhecimento normal de um conteúdo com data. Atualizamos o dado, refazemos a conferência e registramos a nova data de verificação.
Erro de digitação
Grafia trocada, acento faltando, palavra repetida, pontuação equivocada — desde que não altere o sentido nem nenhum dado. Corrigimos direto, sem aviso na página, porque registrar cada vírgula ajustada só polui o histórico e não informa nada a ninguém.
Divergência de interpretação
O leitor discorda da leitura que fizemos de um documento, ou aponta que duas fontes oficiais dizem coisas diferentes. Não há certo e errado óbvio. Reabrimos os documentos e, quando a ambiguidade persiste, passamos a apresentar as duas leituras lado a lado em vez de sustentar uma delas em silêncio.
O que a redação faz depois do apontamento
O procedimento é sempre o mesmo, independentemente de quem apontou e de como o apontamento chegou:
- Conferência na fonte primária. Não corrigimos porque alguém afirmou que estava errado, nem mantemos porque alguém afirmou que estava certo. Abrimos o documento de origem — o ato legal, o plano de manejo, o portal do órgão gestor, a base internacional — e lemos o que está lá.
- Correção do conteúdo. Se o apontamento se confirma, a página é corrigida. Se o erro afeta outras páginas do acervo, todas elas são revistas na mesma passada, porque um dado errado raramente aparece num lugar só.
- Atualização da data de verificação. A data da página passa a ser a da nova conferência, já que as fontes foram efetivamente reabertas.
- Registro visível, quando é o caso. Se a correção altera um dado relevante — algo que muda a compreensão do leitor sobre o parque — a mudança fica registrada na própria página, dizendo o que foi corrigido e quando.
- Resposta a quem apontou, confirmando o que foi verificado, mesmo quando a conclusão é que o conteúdo original estava correto. Nesse caso explicamos por quê e indicamos a fonte, para que a discussão fique aberta e não encerrada por autoridade.
Compromisso
Correção que muda o entendimento não é feita em silêncio
Editar uma página sem avisar é tecnicamente trivial e editorialmente indefensável quando a edição muda o que o leitor entendeu. Alguém pode ter lido a versão anterior, anotado o dado e planejado uma viagem com base nele. Apagar o erro sem deixar rastro protege a aparência da publicação e desprotege exatamente essa pessoa.
Por isso a régua é o efeito sobre o leitor, não a gravidade formal do erro. Quando a mudança altera um dado que alguém poderia ter usado para decidir alguma coisa, ela aparece na página. Quando ela apenas conserta uma letra fora do lugar, não aparece — e essa é a única categoria em que a correção é discreta.
Erros nossos e mudanças do mundo
A distinção entre errar e envelhecer é registrada com clareza: um dado corrigido porque apuramos mal é diferente de um dado atualizado porque o órgão oficial mudou a regra. Misturar os dois casos numa mesma etiqueta genérica seria uma forma elegante de esconder o primeiro atrás do segundo.
O que esta política não cobre
Ela trata de conteúdo publicado no acervo. Não trata de informações que estão em sites de terceiros, ainda que tenhamos ligado a eles, nem de dados que o próprio órgão gestor divulga de forma imprecisa — nesses casos podemos, no máximo, registrar a divergência e indicá-la ao leitor.
Também não cobre pedidos para remover ou alterar uma descrição por discordância de avaliação institucional. Se um trecho corresponde ao que está no documento, ele permanece, mesmo quando desagrada. O que sempre cabe é apresentar um documento novo: contra um documento, a redação não discute — corrige.
Para os demais assuntos, inclusive sugestões de parques e questões institucionais, o caminho está na página de contato. Os princípios que sustentam este procedimento estão descritos na política editorial.