O Parque Nacional Canaima cobre três milhões de hectares no estado Bolívar, no Maciço das Guianas, ao sul do Orinoco. A UNESCO afirma que cerca de 65% dessa superfície é tepui — meseta de arenito de paredes verticais. Desses cumes cai o Kerepakupay Vená, o Salto Ángel, e entre eles abre-se a Gran Sabana. O parque é também território da etnia pemón. O elemento mais fotografado é a queda; o objeto de conservação é o conjunto de savana, floresta e montanha tabular.
Ficha do parque
Verificado em 11/09/2026- Nome oficial
- Parque Nacional Canaima Administrado em dois setores: Oriental (Gran Sabana) e Ocidental (Canaima).
- País e região
- Venezuela — América do Sul
- Localização
- Estado Bolívar Guiana venezuelana, ao sul do Orinoco, no Maciço das Guianas. Municípios Gran Sabana, Sifontes, Piar e Roscio, segundo o INPARQUES. A UNESCO situa o bem na fronteira com a Guiana e o Brasil.
- Ano de criação
- 1962 Decreto n.º 770, de 12 de junho de 1962, publicado em 13 de junho (Gaceta Oficial n.º 26.873). Superfície inicial: 1.000.000 ha.
- Área protegida
- 3.000.000 hectares Ampliação pelo Decreto n.º 1.137, de 9 de setembro de 1975 (Gaceta Oficial n.º 30.809, de 1º de outubro de 1975). Em 2021 a UNESCO registrou estimativa geodésica de 2.816.015 ha, sem alteração de limites.
- Categoria de manejo
- Parque nacional Instituto Nacional de Parques (INPARQUES). O setor oriental tem plano de ordenamento próprio (Decreto n.º 1.640, de 1991).
- Administração
- INPARQUES Instituto Nacional de Parques, no marco do Ministério do Poder Popular para o Ecossocialismo.
- Patrimônio Mundial
- UNESCO, desde 1994 Bem natural, dossiê 701, critérios (vii), (viii), (ix) e (x).
- Tipo de ecossistema
- Savanas e campos, florestas e selvas, parques de montanha
Como o parque foi criado
O INPARQUES liga a criação do parque à necessidade de proteger as nascentes da margem direita do rio Caroní — principal alimentador do complexo hidrelétrico de Guri — e as regiões de Apanwao, Roraima e Kukenán. O Decreto n.º 770, de 12 de junho de 1962, publicado no dia seguinte na Gaceta Oficial n.º 26.873, criou a unidade com 1.000.000 de hectares.
A ampliação veio do Plano Reitor de 1972 e do Decreto n.º 1.137, de 9 de setembro de 1975, publicado na Gaceta Oficial n.º 30.809 de 1º de outubro de 1975. A superfície passou a 3.000.000 de hectares e a unidade foi dividida em setor oriental (Gran Sabana) e setor ocidental (Canaima). O relatório venezuelano à UNESCO reproduz essas datas e a cifra inicial de um milhão de hectares.
Em 1994 o bem entrou na Lista do Patrimônio Mundial. O Comitê registrou, na decisão de inscrição, a presença de população residente na savana e pediu que se revisassem os limites com atenção aos tepuyes e aos interesses locais. Os limites do parque nacional, porém, permaneceram os de 1975.
Paisagens
O relevo que define Canaima é o tepui. A UNESCO afirma que cerca de 65% do parque é coberto por essas formações. O INPARQUES descreve mais de 70 quilômetros de percurso de tepuyes, entre eles Venamo, Sororopán, Ptari, Kamarcabarai e o Roraima, este último com 2.723 metros e um marco de fronteira no cume. A Formação Roraima — arenitos horizontais do Precambriano — é datada pelo órgão entre 1.600 e 1.700 milhões de anos; em outro trecho da mesma ficha estima-se antiguidade de cerca de 2.000 milhões de anos para o Roraima. Registramos as duas cifras.
Do Auyantepui cai o Kerepakupay Vená, o Salto Ángel. O INPARQUES publica 979 metros de desnível, dos quais 807 de queda ininterrupta, e descreve o Auyantepui com 2.535 metros e cerca de 700 km² — a maior superfície entre os tepuyes da unidade. No mesmo portal, em outra passagem, o bordo meridional do Auyantepui aparece com 2.460 metros. Não unificamos a altitude. A UNESCO, na síntese do bem, arredonda a queda a cerca de 1.000 metros. São três números oficiais para o mesmo fenômeno.
Entre as mesetas abre-se a Gran Sabana, planalto entre cerca de 800 e 1.500 metros segundo a geomorfologia do INPARQUES, e o setor ocidental de Canaima, com a laguna formada pelo rio Carrao. As águas, descreve o órgão, podem ser negras ou avermelhadas pela carga de ácidos húmicos e fúlvicos. A hidrografia inteira drena para o Caroní, afluente do Orinoco. O INPARQUES atribui ao Caroní, em Caruachi, vazão média anual de 2.487 m³.
Ecossistemas
Canaima não é um único tipo de cobertura. O INPARQUES descreve savanas, bosques de galeria, morichales com a palmeira Mauritia flexuosa, florestas pré-montanas e basimontanas nas terras baixas, e uma flora de cume — muitas vezes insetívora — sobre solos ácidos e rasos de arenito. É esse empilhamento, da savana quente ao tepui frio, que justifica classificar a unidade ao mesmo tempo como savana, floresta e montanha.
Nas cumbres, o órgão registra mais de 300 espécies de plantas endêmicas e gêneros restritos a mesetas específicas — Tepuia, Ayensua, Mallophyton, Heliamphora, Drosera, Utricularia. A UNESCO trata o Pantepui como entidade biogeográfica própria: cada cume funciona como uma ilha.
O clima, na ficha do INPARQUES, é equatorial, com chuvas distribuídas ao longo do ano. As temperaturas médias variam entre 21 °C e 10 °C conforme a altitude, entre 500 e 2.800 metros. O órgão descreve um período mais seco de janeiro a março, sobretudo no setor oriental, e um período de chuvas de abril a dezembro.
Fauna e flora
Fauna
Na fauna de savana, o INPARQUES destaca espécies ameaçadas:
- Tamanduá-bandeira ou oso palmero (Myrmecophaga tridactyla);
- Tatu-canastra (Priodontes maximus);
- Ariranha ou perro de agua grande (Pteronura brasiliensis);
- O marsupial de cume Marmosa tyleriana;
- O primata que o órgão chama de macaco-capuchinho do Orinoco (Chiropotes satanas);
- O roedor endêmico do Roraima Podoxymys roraimae;
- Cachorro-vinagre (Speothos venaticus), avistado nos bosques da região.
A avifauna, segundo o mesmo portal, supera 587 espécies, com a harpia (Harpia harpyja; a ficha grafia Harpya harpija), araras, beija-flores e tucanos. Entre os répteis, a tragavenado, a sucuri e a cuaima-piña; entre os anfíbios, o sapito-minero (Dendrobates leucomelas). O INPARQUES registra ainda grilos aquáticos do gênero Hydrolutos, descritos para tepuyes distintos.
Não adotamos, nesta ficha, totais de mamíferos ou peixes publicados em relatórios de avaliação ecológica que não estejam na página institucional do INPARQUES ou na ficha da UNESCO. Essa é uma lacuna deliberada.
Flora
Além das mais de 300 endêmicas de cume, o INPARQUES descreve bosques de galeria com árvores, arbustos, cipós, epífitas e o moriche. Em formadores abertos de arenito crescem as comunidades insetívoras; sob lajes e em cavidades, samambaias dos gêneros Hymenophyllopsis e Pterozonium. A vegetação, diz o órgão, desenvolve-se sobre solos muito ácidos, derivados da decomposição das areniscas.
Importância ambiental
Os objetivos oficiais de criação são hidrológicos, geológicos e biológicos: proteger as bacias do Carrao, do Caruaí, do Tuaná e do Caroní; preservar acidentes geográficos; conservar bosques, savanas e as regiões de Apanwao, Roraima e Kukenán. O Caroní não é detalhe de mapa: o INPARQUES o descreve como segundo curso de água do Maciço das Guianas e base da geração hidrelétrica que alimenta boa parte da rede nacional.
A UNESCO acrescenta o argumento biogeográfico: os tepuyes são testemunho do Precambriano e palco de evolução contínua em cumes isolados. O Pantepui não se conserva por um único salto célebre, e sim pela integridade da meseta, da savana e da floresta que as conecta.
O parque é território pemón. O INPARQUES o declara explicitamente. Qualquer leitura de “vazio” ou de área sem gente contradiz a ficha oficial. A decisão de inscrição da UNESCO já registrava população residente na savana e a necessidade de considerar esses interesses na gestão do bem.
Os relatórios de estado de conservação da UNESCO, ao longo de décadas, tratam de limites, presença institucional e pressões sobre o bem. Não extraímos desses relatórios um diagnóstico atualizado de ameaça que a ficha do INPARQUES não confirme. A lacuna fica registrada: o acompanhamento internacional existe; um balanço quantitativo vigente não foi localizado na página da unidade.
Patrimônios reconhecidos
Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1994, como bem natural, sob o dossiê 701. A inscrição se apoia nos quatro critérios naturais. O INPARQUES reproduz, em sua página, o sentido de cada um:
- Critério (vii) — fenômenos naturais superlativos e beleza excepcional: tepuyes, paredões e o Salto Ángel.
- Critério (viii) — história geológica da Terra, Formação Roraima e processos geomorfológicos em curso.
- Critério (ix) — processos ecológicos e evolutivos nos cumes isolados e na expansão das savanas.
- Critério (x) — habitats significativos para a diversidade biológica, inclusive espécies ameaçadas e endêmicas de tepui.
A superfície inscrita é a do parque: 3.000.000 de hectares. Em 2021, no relatório de estado de conservação, a UNESCO registrou que o INPARQUES, com técnicas geodésicas novas, estimou 2.816.015 hectares, sem implicar mudança de limites. O Comitê pediu esclarecimento formal pelo Inventário Retrospectivo. Até a verificação desta ficha, a cifra legal venezuelana permanece a de 1975. Apresentamos as duas.
Melhor período para conhecer
Não existe um mês universalmente melhor. O INPARQUES descreve clima equatorial, chuva ao longo do ano e um período mais seco de janeiro a março, sobretudo na Gran Sabana, com chuvas de abril a dezembro. Essa é a leitura climática do órgão, não um calendário de funcionamento.
O fator que mais muda a experiência é hidrológico: o volume das quedas, a navegabilidade dos rios de água negra e o estado das pistas e da Troncal 10 respondem à chuva. Interdições e alterações de percurso são decisões de campo.
Condições variáveis não são afirmadas neste guia. Fechamentos por cheia, interdições de trecho e alterações de funcionamento são divulgados pelo INPARQUES e podem mudar de um dia para o outro. Consulte o canal oficial antes de se deslocar.
Formas oficiais de acesso
O INPARQUES descreve duas portas estruturais. O setor ocidental (Canaima) tem pistas em Laguna de Canaima, Luepa e Santa Elena de Uairén. O setor oriental (Gran Sabana) é atravessado pela Troncal 10, entre El Dorado e Santa Elena de Uairén; a Piedra de la Virgen, no quilômetro 98, é descrita pelo órgão como entrada do parque nesse eixo.
São frentes distintas da mesma unidade, com planos de uso diferentes. O setor oriental rege-se pelo Decreto n.º 1.640, de 5 de junho de 1991; o ocidental, pelo regulamento parcial da Lei Orgânica de Ordenação do Território (Decreto 276). Visitar um setor não implica acesso automático ao outro, nem ao cume de um tepui.
Não publicamos valores, horários nem pontos de venda. Ingresso, voos internos, deslocamento fluvial e atividades disponíveis são definidos e alterados pelo INPARQUES e pelos prestadores que ele autoriza. A única fonte válida para esses dados, na data em que você for visitar, é o canal oficial indicado na seção Verificação e site oficial.
Regras de visitação
Canaima é parque nacional. A visitação é uso compatível com a conservação, nas áreas e nas modalidades previstas pelos decretos de ordenamento e pelo INPARQUES. A maior parte do território — cumes, florestas e savanas sem trilha habilitada — não é área de visitação.
Na prática, e de forma estrutural, isso significa que:
- A visitação é permitida apenas nas áreas e nas modalidades previstas pelo INPARQUES e pelos planos de cada setor.
- Não é permitido coletar, retirar ou danificar plantas, animais, arenito, cristais ou qualquer elemento natural — inclusive nos cumes, onde o endemismo é concentrado.
- Caça e extração são proibidas.
- O parque é território pemón. Comunidades, guias locais e normas de uso do território não são detalhe de viagem: fazem parte do regime real da unidade.
- Filmagens profissionais, pesquisa e aeronaves não tripuladas dependem de autorização prévia.
- As orientações das equipes de campo e a sinalização em campo prevalecem sobre qualquer informação publicada previamente, inclusive sobre este guia.
Cuidados ambientais
Em um parque de savana, floresta e tepui com visitação concentrada em saltos e lagunas, o impacto individual se multiplica rápido. Os cuidados abaixo respondem a problemas documentados nesse tipo de unidade.
- Não alimente nenhum animal silvestre, em nenhuma circunstância.
- Mantenha-se nas trilhas e nos pontos de desembarque demarcados. Atalhos em savana úmida e em arenito de cume não se fecham sozinhos.
- Não colete plantas, cristais, insetos nem “souvenirs” de tepui. O endemismo de cume é o argumento central da inscrição na UNESCO.
- Leve todo o seu resíduo de volta. Isso inclui resíduos orgânicos. Águas negras e morichales não são destino de lixo.
- Não introduza plantas, sementes ou animais.
- Respeite a distância e as comunidades. Não toque, não persiga e não force aproximação para fotografia — de fauna ou de pessoas.
Nossa leitura ampliada desses princípios está no guia de planejamento responsável de visitas.
Acessibilidade
Informação não confirmada em fonte oficial. Nas fontes oficiais consultadas para esta ficha, não localizamos um documento público e atualizado que descreva de forma completa as condições de acessibilidade das áreas abertas à visitação — pistas, embarcações, Troncal 10, centros de informação ou atendimento a pessoas com mobilidade reduzida.
Optamos por registrar essa lacuna em vez de descrever condições que não pudemos verificar. Quem precisa dessa informação para planejar a visita deve procurar diretamente o INPARQUES. Assim que localizarmos documentação oficial sobre o tema, atualizamos esta seção e a data de verificação.
Verificação e site oficial
Data da verificação: . Nessa data, todos os dados desta ficha foram conferidos nos documentos listados em Fontes.
Administração responsável: Instituto Nacional de Parques (INPARQUES) — é o órgão a consultar para qualquer informação sujeita a mudança.
- Página oficial da unidade: Parque Nacional Canaima no portal do INPARQUES
- Ficha do bem na UNESCO: Canaima National Park, dossiê 701
- Estado de conservação (estimativa de 2.816.015 ha): Relatório de 2021, Centro do Patrimônio Mundial
Se você identificou um dado desatualizado ou incorreto nesta ficha, veja nossa política de correções. Registramos toda alteração relevante com data.
Fontes
-
INPARQUES. Página do Parque Nacional Canaima: Decreto n.º 770 de
12 de junho de 1962; ampliação pelo Decreto n.º 1.137 de 9 de setembro de 1975;
3.000.000 ha; setores oriental e ocidental; municípios; objetivos de criação;
tepuyes; Kerepakupay Vená (979 m / 807 m de queda ininterrupta); Auyantepui;
flora de cume; fauna listada; clima; hidrografia do Caroní; vias de acesso.
Órgão oficial
inparques.gob.ve/parque-nacional-canaima -
UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial. Canaima National Park —
ficha do bem, critérios (vii), (viii), (ix) e (x), inscrição em 1994, dossiê 701,
cerca de 3 milhões de hectares, cerca de 65% de tepuyes, queda descrita como a
mais alta do mundo (cerca de 1.000 m).
Organismo internacional
whc.unesco.org/en/list/701 -
UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial. Estado de conservação de
2021: estimativa geodésica de 2.816.015 ha sem alteração de limites, e pedido
de esclarecimento formal.
Organismo internacional
whc.unesco.org/en/soc/4175 -
República Bolivariana da Venezuela. Informe à UNESCO sobre a
decisão 44 COM 7B.199: criação em 12 de junho de 1962 com 1.000.000 ha;
ampliação em 9 de setembro de 1975 para 3.000.000 ha; divisão em dois setores.
Documento de Estado Parte
whc.unesco.org/document/198742
Nomes científicos reproduzidos conforme a ficha do INPARQUES, com a grafia padronizada da harpia indicada no texto. Alturas do Salto Ángel e do Auyantepui apresentadas nas versões oficiais divergentes, sem escolha de um único número.