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CashCollate Parques nacionais do mundo
Ilustração original do Terai: floresta de sal densa à margem de um rio largo, gramínea alta em primeiro plano, colinas baixas da Siwalik ao fundo e um rinoceronte em silhueta na planície aluvial.

Florestas e selvas · Ásia

Parque Nacional de Chitwan

Terai central, Nepal Criado em 1973 95.263 hectares

Ilustração original produzida pela CashCollate para este guia. Não é uma fotografia do local.

O Parque Nacional de Chitwan é o primeiro parque nacional do Nepal e o maior remanescente contínuo dos ecossistemas naturais do Terai — a faixa baixa que se estendia pelos sopés da Índia e do Nepal. A UNESCO o descreve como um dos últimos refúgios do rinoceronte-asiático-de-um-chifre e do tigre-de-bengala. A unidade que o visitante encontra hoje não é a mesma de 1973: o perímetro foi revisto, o nome real foi retirado, e a zona de amortecimento passou a ser peça central do manejo.

Ficha do parque

Verificado em 11/09/2026
Nome oficial
Chitwan National Park Criado em 1973 como Royal Chitwan National Park. O nome foi alterado para Chitwan National Park em 2006, segundo o sítio oficial da unidade.
País e região
Nepal — Ásia
Localização
Terai centro-sul Distritos de Chitwan, Makwanpur, Parsa e Nawalparasi (hoje Nawalpur leste e oeste), nas províncias de Bagmati, Gandaki e Lumbini. Baixada subtropical interna do Terai.
Ano de criação
1973 Primeiro parque nacional do Nepal, sob a National Parks and Wildlife Conservation Act, 1973. Antecedentes: Mahendra Deer Park (1959) e santuário de rinoceronte (1963).
Área protegida
95.263 hectares 952,63 km² no registro atual do DNPWC, após revisão de limites em 2016. A UNESCO inscreveu 93.200 ha — o recorte de 1973/1984.
Categoria de manejo
Parque nacional — IUCN II Unidade do sistema nepalês de parques nacionais. Exército nepalês destacado para proteção desde 1975.
Bioma
Terai e Siwalik Floresta decídua subtropical, planície aluvial, rio e gramínea. Cerca de 70% da cobertura é floresta de sal.
Administração
DNPWC Department of National Parks and Wildlife Conservation, Ministério de Florestas e Ambiente do Nepal. Sede de campo em Kasara.
Patrimônio Mundial
UNESCO, desde 1984 Bem natural, dossiê 284, critérios (vii), (ix) e (x). Área inscrita: 93.200 ha.
Tipo de ecossistema
Florestas e selvas

Como o parque foi criado

Chitwan foi, durante o século XIX e boa parte do XX, território de caça das famílias reais e dos Rana. A proteção moderna começa por pedaços: em 1959, a floresta de Tikauli, da Rapti às encostas do Mahabharat, foi declarada Mahendra Deer Park, com 175 km². Em 1963, a faixa ao sul da Rapti foi demarcada como santuário de rinoceronte.

A gazetação federal veio em 1973, com 932 km², como Royal Chitwan National Park — o primeiro parque nacional do país, no mesmo ano da National Parks and Wildlife Conservation Act. Em 1974 saiu o Chitwan National Park Regulation; em 1975 o Exército passou a ser destacado para a proteção da unidade.

Em 1996, 750 km² de florestas e terras particulares em torno do parque foram declarados zona de amortecimento, sob o Buffer Zone Management Regulation do mesmo ano. Em 2006 o prefixo “Royal” saiu do nome. Em 2016, o governo revisou o limite: 20,63 km² saíram da zona de amortecimento e entraram no núcleo. O DNPWC passou a publicar 952,63 km² de parque e 729,37 km² de buffer. A área inscrita na UNESCO permanece 93.200 hectares: são recortes distintos.

Paisagens

O parque ocupa a bacia de um vale fluvial na base da cadeia Siwalik (Churia), o andar externo do Himalaia. A UNESCO descreve encostas voltadas ao sul em penhasco e um mosaico de floresta ribeirinha e gramínea ao longo dos rios. O núcleo fica entre o Narayani (Gandaki) e o Rapti, ao norte, e o Reu e a fronteira com a Índia, ao sul, sobre as colinas de Sumeswar e Churia, até as colinas de Dawney a oeste do Narayani.

O Narayani é o terceiro rio do Nepal: nasce no alto Himalaia e deságua na baía de Bengala. A ficha da UNESCO destaca as terraços fluviais de seixos e cascalho e o telão himalaio ao fundo — o contraste que sustenta o critério de beleza natural. A leste, a unidade encosta no que era a Reserva de Vida Silvestre de Parsa (hoje parque nacional vizinho).

A altitude oficial do sítio do parque vai de 110 a 850 metros. O plano de manejo trabalha com 150 a 815 metros. São cifras da mesma ordem, medidas em documentos diferentes; registramos as duas.

Ecossistemas

A UNESCO trata Chitwan como o maior e menos perturbado exemplo de floresta de sal e comunidades associadas dos ecossistemas Siwalik e Terai interno. O sítio oficial da unidade quantifica a cobertura: cerca de 70% é floresta de sal (Shorea robusta), vegetação decídua úmida do Terai. O restante é gramínea, floresta ribeirinha e sal com pinheiro-chir (Pinus roxburghii) no alto da Churia.

A floresta ribeirinha reúne khair (Acacia catechu), sissoo (Dalbergia sissoo) e simal (Bombax ceiba). As gramíneas ocupam as planícies de inundação e formam uma comunidade com mais de 50 tipos, inclusive o capim-elefante (Saccharum spp.), que o parque descreve com até 8 metros. O plano de manejo decompõe 16 coberturas de solo e atribui, depois do sal, 12% a gramíneas, 7% a floresta ribeirinha, 5% a superfície exposta e 3% a corpos d’água.

A integridade ecológica, segundo a UNESCO, é reforçada pela unidade vizinha a leste e pela zona de amortecimento — que não faz parte do bem inscrito, mas amplia habitat e amortece o contato com o entorno habitado, inclusive o território da comunidade tharu.

Fauna e flora

Fauna

A UNESCO afirma que o parque abriga 31% dos mamíferos, 61% das aves, 34% dos anfíbios e répteis e 65% dos peixes registrados no Nepal, e mais de 350 espécies de aves. O plano de manejo e os relatórios do Estado Parte à UNESCO listam, entre as espécies de conservação prioritária:

  • Rinoceronte-indiano (Rhinoceros unicornis), a segunda maior população mundial da espécie, segundo a UNESCO;
  • Tigre-de-bengala (Panthera tigris tigris);
  • Elefante-asiático;
  • Gauro e urso-preguiça;
  • Golfinho-do-ganges (Platanista gangetica);
  • Gavial (Gavialis gangeticus), píton-indiana e varano-dourado;
  • Florican-de-bengala, florican-menor e calau-grande.

A síntese da UNESCO registra cifras históricas, não um censo vigente: cerca de 300 rinocerontes nos anos 1980 e 503 em 2011; 40 tigres adultos reprodutores nos anos 1980 e 125 em 2010. Qualquer número posterior precisa ser lido no último relatório oficial de censo, não nesta ficha.

Flora

Além do sal, o plano de manejo cita, nas encostas da Churia, harro (Terminalia bellirica), satisal (Dalbergia latifolia), botdhayero (Anogeissus latifolia), panchphal (Dillenia indica) e dabdabe (Garuga pinnata), com lianas como Bauhinia vahlii e Spatholobus parviflorus. Nas sucessões aluviais, khair-sissoo coloniza o aluvião recente; simal e Trewia nudiflora marcam um estágio posterior. Saccharum spontaneum é uma das primeiras espécies a ocupar bancos de areia novos.

Importância ambiental

O valor de Chitwan está no que o Terai perdeu em volta. A UNESCO o descreve como o último grande exemplo sobrevivente dos ecossistemas naturais dessa faixa, com impacto humano relativamente contido pela dependência tradicional — em especial da comunidade tharu — e pelo regime de parque. A planície aluvial e a floresta ribeirinha são o habitat que sustenta o rinoceronte; o conjunto maior sustenta o tigre.

As ameaças nomeadas pela UNESCO são concretas: caça do rinoceronte para o comércio do chifre; comércio ilegal de partes de tigre e furto de madeira; espécies invasoras nas gramíneas e na floresta ribeirinha, com destaque para Mikania micrantha; poluição pontual e difusa no Narayani; conflito entre fauna e população do entorno; e a pressão de uma visitação alta concentrada em poucos setores.

A resposta institucional nepalêsa é o programa de zona de amortecimento: 30% a 50% da receita da unidade retorna a comitês locais, por força da lei de 1973 e do regulamento de 1996. A UNESCO trata esse arranjo como exemplo de parceria entre Estado e comunidade. Não elimina o conflito; torna o conflito governável.

Patrimônios reconhecidos

Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1984, como bem natural, sob o dossiê 284. A inscrição se apoia em três critérios:

  • Critério (vii) — paisagem de vegetação densa com o Himalaia ao fundo, colinas florestadas e rios em mudança, inclusive o Narayani. A ficha também registra dois locais de peregrinação hindu — Bikram Baba, em Kasara, e Balmiki Ashram, em Tribeni — e o território da comunidade tharu.
  • Critério (ix) — processos ecológicos e geológicos em curso na Siwalik, uma das cadeias mais jovens do Himalaia, e nas planícies aluviais do Terai interno.
  • Critério (x) — habitat de importância mundial para o rinoceronte-de-um-chifre e o tigre-de-bengala, e concentração excepcional de aves.

A área inscrita é 93.200 hectares. A unidade nacional atual mede 952,63 km². A diferença é o acréscimo de 2016, que o cadastro da UNESCO ainda não absorveu como extensão do bem. A zona de amortecimento e o sítio Ramsar de Beeshazar e lagos associados (2003) ficam fora do recorte inscrito.

Melhor período para conhecer

Não existe um mês universalmente melhor. O plano de manejo descreve clima de monção tropical, de alta umidade, com precipitação média anual da ordem de 2.600 milímetros. A variável que mais muda a paisagem é a cheia dos rios Narayani, Rapti e Reu: a gramínea e a floresta ribeirinha são mantidas pelo alagamento sazonal.

A segunda variável é o fluxo de visitantes, concentrado nos setores de mais fácil observação de fauna. Como as áreas abertas são uma fração da unidade, a sensação de aglomeração varia muito mais que o termômetro.

Condições variáveis não são afirmadas neste guia. Fechamentos por cheia, interdições de trecho e alterações de funcionamento são divulgados pela administração do parque. Consulte o canal oficial antes de se deslocar.

Formas oficiais de acesso

A sede administrativa histórica da unidade é Kasara, no distrito de Chitwan, onde a UNESCO também registra o local religioso de Bikram Baba. O parque tem frentes em quatro distritos e faz limite internacional ao sul. A ponte de Kasara e o vale de Madi aparecem na documentação da UNESCO como pontos de pressão de tráfego e de infraestrutura — não como convite a um roteiro.

A zona de amortecimento inclui florestas, terras cultivadas e assentamentos. Entrar no buffer não é entrar no núcleo, e as regras não são as mesmas.

Não publicamos valores, horários nem pontos de venda. Ingresso, modalidades de visita e transporte interno são definidos pela administração da unidade. A única fonte válida, na data em que você for visitar, é o canal oficial indicado na seção Verificação e site oficial.

Regras de visitação

Chitwan é parque nacional nepalês da categoria IUCN II, sob a National Parks and Wildlife Conservation Act de 1973, o regulamento da unidade de 1974 e o regulamento de zona de amortecimento de 1996. A visitação é uso indireto dos recursos naturais.

Na prática, e de forma estrutural, isso significa que:

  • A visitação é permitida apenas nas áreas e nas modalidades previstas no plano de manejo. A maior parte do território não é aberta ao público.
  • Caça, pesca não autorizada e extração de produtos florestais são proibidas no núcleo. A UNESCO aponta a caça do rinoceronte e o furto de madeira como ameaças ativas.
  • A dependência tradicional de recursos por comunidades do entorno — inclusive tharu — é regulada na zona de amortecimento, não transferida ao visitante.
  • Pesquisa, filmagem profissional e uso de aeronaves não tripuladas dependem de autorização prévia.
  • As orientações das equipes de campo e do destacamento de proteção prevalecem sobre qualquer informação publicada previamente.

Cuidados ambientais

Em um parque de floresta e gramínea com fauna de grande porte e visitação concentrada, o dano mais comum é também o mais evitável.

  • Não alimente nenhum animal silvestre. Rinoceronte, veado, macaco e ave de rio mudam de comportamento em minutos quando a comida de visitante vira recurso.
  • Mantenha distância de rinoceronte, tigre, elefante e gavial. Não persiga, não cerque e não force aproximação para fotografia.
  • Mantenha-se nas rotas autorizadas. Atalhos em gramínea alta e em floresta ribeirinha abrem erosão e surpresa com fauna.
  • Leve todo o seu resíduo de volta. Em planície aluvial, o lixo viaja com a cheia.
  • Não introduza plantas nem sementes. Mikania micrantha já é citada pela UNESCO como invasora ativa.

Nossa leitura ampliada desses princípios está no guia de planejamento responsável de visitas.

Acessibilidade

Informação não confirmada em fonte oficial. Nas fontes oficiais consultadas para esta ficha, não localizamos um documento público e atualizado que descreva de forma completa as condições de acessibilidade das áreas abertas à visitação.

Optamos por registrar essa lacuna. Quem precisa dessa informação para planejar a visita deve procurar diretamente a administração da unidade, pelo canal indicado abaixo.

Verificação e site oficial

Data da verificação: . Nessa data, todos os dados desta ficha foram conferidos nos documentos listados em Fontes.

Administração responsável: Department of National Parks and Wildlife Conservation (DNPWC) — é o órgão a consultar para qualquer informação sujeita a mudança.

Se você identificou um dado desatualizado ou incorreto nesta ficha, veja nossa política de correções. Registramos toda alteração relevante com data.

Fontes

  1. Chitwan National Park / DNPWC. About: criação em 1973, 952,63 km², zona de amortecimento de 729,37 km², antecedentes de 1959 e 1963, mudança de nome em 2006, 70% de floresta de sal, rios e cobertura vegetal. Órgão oficial
    chitwannationalpark.gov.np
  2. UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial. Chitwan National Park — síntese, critérios (vii), (ix) e (x), 93.200 ha, inscrição em 1984, buffer de 1996, Ramsar de 2003, ameaças e gestão. Dossiê 284. Organismo internacional
    whc.unesco.org/en/list/284
  3. Governo do Nepal / UNESCO. State of conservation: revisão de limites de 2016 (20,63 km² incorporados ao núcleo). Documento de gestão
    whc.unesco.org/document/171308
  4. Chitwan National Park / DNPWC. Management Plan (publicação reproduzida na FAOLEX): 932 km² à criação, buffer de 750 km² em 1996, fauna prioritária e coberturas de solo. Documento de gestão
    Plano de manejo, FAOLEX

Nomes científicos reproduzidos conforme a ficha da UNESCO e o plano de manejo; nomes populares conforme uso corrente na literatura de conservação.

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