O Parque Nacional Galápagos é a primeira área protegida do Equador e cobre cerca de 97% da superfície terrestre do arquipélago. Isolado no Pacífico, a cerca de mil quilômetros do continente, o conjunto de ilhas vulcânicas é inseparável da reserva marinha que o circunda: tartarugas, iguanas, pinguins e cormorões dependem dos dois lados da linha da costa. Foi o primeiro bem inscrito na Lista do Patrimônio Mundial, e o título não impediu que o conjunto passasse pela Lista em Perigo.
Ficha do parque
Verificado em 11/09/2026- Nome oficial
- Parque Nacional Galápagos O decreto de 1959 refere-se às terras do arquipélago de Colón ou Galápagos. A reserva marinha é outra área protegida, sob a mesma direção.
- País e região
- Equador — América do Sul
- Localização
- Província de Galápagos Pacífico equatorial, a cerca de 1.000 km do continente. A ilha San Cristóbal dista 928 km do cabo de San Lorenzo. A linha do Equador passa pelo vulcão Wolf, no norte de Isabela.
- Ano de criação
- 1959 Decreto executivo n.º 17, de 4 de julho de 1959, no centenário de A origem das espécies.
- Área protegida
- Cerca de 7.970 km² terrestres Cifra da Dirección del Parque Nacional Galápagos para a parte terrestre. A UNESCO registra o bem mundial — ilhas e reserva marinha — com 14.066.514 ha. As cifras marinhas oficiais divergem; veja a seção de patrimônios.
- Categoria de manejo
- Parque nacional — com reserva marinha associada 97% da superfície terrestre; os 3% restantes correspondem a zonas habitadas em ilhas povoadas.
- Administração
- Dirección del Parque Nacional Galápagos Vinculada ao Ministério do Ambiente do Equador. Sede na avenida Charles Darwin, ilha Santa Cruz.
- Patrimônio Mundial
- UNESCO, desde 1978 Bem natural, dossiê 1 bis, critérios (vii), (viii), (ix) e (x). Extensão em 2001, com a reserva marinha. Lista em Perigo entre 2007 e 2010.
- Reserva da Biosfera
- UNESCO, desde 1984 Programa Homem e Biosfera. As fichas consultadas discordam sobre a superfície da reserva; não adotamos um único hectare.
- Tipo de ecossistema
- Parques marinhos
Como o parque foi criado
Em 4 de julho de 1959, o Decreto executivo n.º 17 declarou parque nacional de reserva, de exclusivo domínio do Estado, as terras das ilhas do arquipélago de Colón ou Galápagos, com exceção das já possuídas por colonos e das já legalmente destinadas pelo Estado. A Dirección del Parque Nacional Galápagos registra que a data coincide com o primeiro centenário da publicação de A origem das espécies, e que essa foi a primeira área protegida do país.
A proteção marinha veio depois, em etapas. O plano de manejo terrestre de 1974 recomendava uma faixa de duas milhas náuticas em torno de cada ilha. Em 1986 foi declarada uma Reserva de Recursos Marinos. Em 1998, a Lei Orgânica de Regime Especial para a Conservação e o Desenvolvimento Sustentável de Galápagos (LOREG) ampliou a área e criou a Reserva Marina de Galápagos. Em 2001, o Comitê do Patrimônio Mundial incorporou essa reserva ao bem inscrito em 1978.
A direção do parque implantou um zoneamento em três faixas: proteção absoluta (áreas prístinas ou quase prístinas); conservação e restauração de ecossistemas (áreas com algum grau de alteração); e redução de impactos (periferia junto a zonas urbanas ou agropecuárias). É o instrumento com que a administração tenta fazer caber visitação, ciência e comunidades no mesmo arquipélago.
Paisagens
Galápagos é um arquipélago de origem vulcânica. A Dirección descreve mais de 233 ilhas, ilhotas e rochas em uma página e 330 em outra; a UNESCO fala em 127 ilhas, ilhotas e rochas, das quais 19 grandes e 4 habitadas. Não unificamos essa contagem: são recortes diferentes do mesmo conjunto. A página de localização da direção registra 13 ilhas maiores, 4 delas povoadas, e mais de 200 ilhotas e rochas.
Isabela é a maior ilha, com mais da metade da superfície do arquipélago, e, junto com Fernandina, uma das mais jovens: a Dirección atribui a elas 5 dos 6 vulcões ativos. O vulcão Wolf, no norte de Isabela, marca a passagem da linha do Equador. Santa Cruz é a ilha mais central; San Cristóbal, a mais oriental, concentra a capital provincial; Floreana foi a primeira habitada e tem população que a direção descreve como não superior a 120 pessoas. Baltra, árida, abrigou base aérea na Segunda Guerra; hoje pertence ao sistema de áreas protegidas, salvo o trecho da base e da capitania.
A paisagem terrestre é de lava, vulcões-escudo e costa recortada. A paisagem que sustenta o sistema, porém, é a marinha: a reserva compreende 40 milhas a partir da linha de base das ilhas extremas, além das águas interiores. Pinguins, cormorões, leões-marinhos e albatrozes vivem em terra e alimentam-se no mar.
Ecossistemas
O valor do arquipélago está na combinação de isolamento, juventude geológica e encontro de correntes. A UNESCO descreve as ilhas como museu vivo e vitrine da evolução, na confluência de três sistemas oceânicos, com atividade sísmica e vulcânica ainda em curso. A Dirección formula o mesmo fato de outro modo: Galápagos é laboratório de processos evolutivos em marcha.
Em terra, o parque cobre cerca de 97% da superfície emersa. Os 3% restantes são as zonas habitadas das ilhas povoadas — Santa Cruz, San Cristóbal, Isabela e Floreana, além das instalações de Baltra. Isso significa que o parque não é uma ilha desabitada: ele circunda povoados, aeroportos e áreas agropecuárias, e o zoneamento existe precisamente por isso.
No mar, a Dirección afirma que os ecossistemas das ilhas não sobrevivem sem a proteção costeira e pelágica. A reserva marinha é, portanto, parte do mesmo sistema, ainda que seja outra figura legal. As cifras de área dessa reserva não coincidem entre as páginas oficiais consultadas: 138.000 km² na página de localização, 143.000 km² na página da reserva, 133.000 km² na ficha da UNESCO para a extensão de 1998. Registramos as três e não escolhemos uma.
Fauna e flora
Fauna
A Dirección publica os seguintes totais de espécies endêmicas: mais de 45 aves, 42 répteis, 15 mamíferos e 79 peixes. A espécie que dá nome ao arquipélago é a tartaruga-gigante. A direção registra 14 espécies iniciais, três extintas pela predação de piratas e baleeiros no século XVIII, e a de Fernandina perdida por erupções do vulcão La Cumbre. A extinção mais recente que o órgão destaca é a de Solitário George, último exemplar de Chelonoidis abingdonii, da ilha Pinta.
A ficha da UNESCO acrescenta, no critério (x), iguanas terrestres, o pinguim mais setentrional do mundo, o cormorão-não-voador, os tentilhões de Darwin, os mockers e a única iguana-marinha do mundo. No mar, a mesma ficha cita 2.909 espécies identificadas, com 18,2% de endemismo, além de tubarões, raias e cetáceos. A página da reserva marinha da Dirección fala em mais de 2.900 espécies e 25% de organismos marinhos endêmicos, e em 24 espécies de mamíferos marinhos, duas delas endêmicas. A divergência de percentuais é da documentação oficial; não a reconciliamos.
Flora
A Dirección atribui às ilhas cerca de 500 espécies de flora endêmica, entre vasculares, briófitas e algas. A UNESCO, no critério (x), fala em cerca de 500 plantas vasculares nativas, das quais cerca de 180 endêmicas, e destaca as árvores Scalesia. São recortes distintos do mesmo número redondo de 500: um inclui briófitas e algas; o outro, só vasculares. Declaramos a diferença.
Importância ambiental
A Dirección afirma que Galápagos ainda conserva 95% da biodiversidade originalmente registrada. O mesmo órgão aponta a ameaça estrutural: a introdução, voluntária ou não, de espécies exógenas em ecossistemas frágeis. A UNESCO, ao inscrever o bem na Lista em Perigo em 2007, nomeou o mesmo problema e somou turismo em expansão, imigração e falhas de governança.
O arquipélago foi o primeiro sítio da Lista do Patrimônio Mundial. Isso não o tornou imune: entre 2007 e 2010 o bem esteve na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo. O registro consta da ficha da UNESCO e é o lembrete de que o título acompanha o estado real de conservação — espécies invasoras, tráfego entre ilhas e pressão de visitação continuam a ser o núcleo da gestão.
A relação terra–mar é o outro eixo. Pinguins, cormorões, leões-marinhos e albatrozes tornam inviável conservar só o parque terrestre ou só a reserva marinha. A direção descreve as duas áreas como um único sistema de manejo, ainda que as cifras de superfície não estejam unificadas.
Patrimônios reconhecidos
Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1978, como bem natural, sob o dossiê 1 — o primeiro da Lista. Em 2001 o bem foi estendido (dossiê 1 bis) para incluir a reserva marinha. A inscrição se apoia nos quatro critérios naturais:
- Critério (vii) — fenômenos naturais superlativos e beleza excepcional do arquipélago vulcânico e de suas águas.
- Critério (viii) — processos geológicos em curso: vulcanismo, sismicidade e formação de ilhas oceânicas.
- Critério (ix) — processos ecológicos e evolutivos ainda observáveis, o “laboratório vivo” da ficha oficial.
- Critério (x) — habitats de espécies endêmicas e ameaçadas, terrestres e marinhas.
A UNESCO registra a área do bem em 14.066.514 hectares. Esse número não é a área do parque terrestre (cerca de 7.970 km², segundo a Dirección) nem coincide com todas as cifras da reserva marinha. São recortes diferentes.
Reserva da Biosfera desde 1984, no Programa Homem e Biosfera. A ficha MAB consultada e o relatório de missão da IUCN de 2017 publicam superfícies distintas para a reserva. Não adotamos um hectare único. Em 2002, a UNESCO também registra o sítio Ramsar “Humedales del Sur de Isabela”, citado no relatório de missão de 2017; não localizamos, nas páginas da Dirección consultadas, uma ficha própria que confirme a área atual desse sítio.
Melhor período para conhecer
Não existe um mês universalmente melhor, e o Equador equatorial não se organiza pelas estações de um continente temperado. A UNESCO descreve o encontro de correntes e a dinâmica vulcânica como processos permanentes; a Dirección não publica, nas páginas consultadas, um calendário oficial de “melhor época”.
O que muda a experiência é menos o mês do que o regime de visitação: sítios habilitados, itinerários planejados e a diferença entre ilhas povoadas e ilhas de acesso controlado. Fluxo de visitantes, interdições por biossegurança e fechamentos pontuais são decisões da direção do parque.
Condições variáveis não são afirmadas neste guia. Itinerários habilitados, interdições sanitárias e alterações de funcionamento são divulgados pela Dirección del Parque Nacional Galápagos e podem mudar de um dia para o outro. Consulte o canal oficial antes de se deslocar.
Formas oficiais de acesso
A UNESCO registra aeroportos em Baltra e San Cristóbal para o tráfego com o continente, e um aeroporto em Isabela sobretudo para voos entre ilhas. Todas as ilhas habitadas têm porto de mercadorias. A sede da Dirección fica na avenida Charles Darwin, ilha Santa Cruz.
As demais ilhas, não habitadas, estão sob controle estrito. A ficha da UNESCO descreve itinerários turísticos planejados que limitam a visitação. Chegar a uma ilha povoada não dá acesso livre ao parque: os sítios de visita são definidos pelo zoneamento e pela administração.
Não publicamos valores, horários nem pontos de venda. Taxa de ingresso, embarque, itinerários autorizados e atividades náuticas são definidos e alterados pela Dirección del Parque Nacional Galápagos e pelo Ministério do Ambiente. A única fonte válida para esses dados, na data em que você for visitar, é o canal oficial indicado na seção Verificação e site oficial.
Regras de visitação
O parque terrestre e a reserva marinha são áreas protegidas de regime especial. A visitação é uso indireto, nas modalidades e nos sítios previstos pelo zoneamento. A maior parte das ilhas não é aberta ao público.
Na prática, e de forma estrutural, isso significa que:
- A visitação ocorre apenas nos sítios e itinerários habilitados pela Dirección del Parque Nacional Galápagos.
- Não é permitido coletar, retirar ou danificar plantas, animais, lava, conchas ou qualquer elemento natural.
- A introdução de organismos — sementes, alimentos, animais domésticos, solo — é o risco central documentado pelo órgão. As regras de biossegurança da administração prevalecem sobre qualquer hábito de viagem.
- Na reserva marinha, a Dirección registra como único uso extrativo permitido a pesca artesanal tradicional, além de usos turísticos em sítios determinados.
- Filmagens profissionais, pesquisa e aeronaves não tripuladas dependem de autorização prévia.
- As orientações das equipes de campo prevalecem sobre qualquer informação publicada previamente, inclusive sobre este guia.
Cuidados ambientais
Em um arquipélago oceânico com endemismo extremo e histórico de invasões, o cuidado individual não é etiqueta: é a fronteira entre um sistema que ainda funciona e um que deixa de funcionar.
- Não alimente nenhum animal silvestre, em nenhuma circunstância. Iguanas, leões-marinhos, aves e tartarugas alteram comportamento com rapidez.
- Mantenha-se nos trilhos e nos pontos de desembarque demarcados. Lava e solo insular não se recompõem no ritmo de uma temporada de visitas.
- Não leve sementes, plantas, animais nem solo entre ilhas nem a partir do continente. A Dirección aponta as espécies exógenas como a principal ameaça estrutural.
- Leve todo o seu resíduo de volta. Isso inclui restos orgânicos.
- Respeite a distância, em terra e na água. Não toque, não persiga e não force aproximação para fotografia.
- Não desembarque fora dos sítios habilitados. Ilhas sem povoamento não são área livre.
Nossa leitura ampliada desses princípios está no guia de planejamento responsável de visitas.
Acessibilidade
Informação não confirmada em fonte oficial. Nas fontes oficiais consultadas para esta ficha, não localizamos um documento público e atualizado que descreva de forma completa as condições de acessibilidade dos sítios de visita — desembarques, embarcações, centros de interpretação ou atendimento a pessoas com mobilidade reduzida.
Optamos por registrar essa lacuna em vez de descrever condições que não pudemos verificar. Quem precisa dessa informação para planejar a visita deve procurar diretamente a Dirección del Parque Nacional Galápagos. Assim que localizarmos documentação oficial sobre o tema, atualizamos esta seção e a data de verificação.
Verificação e site oficial
Data da verificação: . Nessa data, todos os dados desta ficha foram conferidos nos documentos listados em Fontes.
Administração responsável: Dirección del Parque Nacional Galápagos, vinculada ao Ministério do Ambiente do Equador — é o órgão a consultar para qualquer informação sujeita a mudança.
- Página oficial da unidade: Parque Nacional Galápagos, portal da Dirección
- Reserva marinha: Reserva Marina de Galápagos
- Ficha do bem na UNESCO: Galápagos Islands, dossiê 1
- Reserva da Biosfera: Galápagos no Programa Homem e Biosfera
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Fontes
-
Dirección del Parque Nacional Galápagos. Página do parque: Decreto
executivo n.º 17, de 4 de julho de 1959; 97% da superfície terrestre; cerca de
7.970 km² terrestres; zoneamento; ilhas povoadas; 45 aves, 42 répteis, 15
mamíferos e 79 peixes endêmicos; tartarugas-gigantes; 95% da biodiversidade
originalmente registrada. Órgão oficial
galapagos.gob.ec/parque-nacional-galapagos -
Dirección del Parque Nacional Galápagos. Áreas protegidas,
localização e reserva marinha: mais de 233 ilhas em uma página e 330 em outra;
13 ilhas maiores; 928 km até San Cristóbal; reserva descrita como 138.000 km²
e, em outra página, 143.000 km²; 40 milhas a partir da linha de base; LOREG de
1998; mais de 2.900 espécies marinhas e 25% de endemismo na página da reserva.
Órgão oficial
galapagos.gob.ec/areas-protegidas -
UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial. Galápagos Islands — ficha do
bem, critérios (vii), (viii), (ix) e (x), inscrição em 1978, extensão em 2001,
área de 14.066.514 ha, dossiê 1 bis. Lista em Perigo entre 2007 e 2010. Reserva
marinha descrita como 70.000 km² em 1986 e 133.000 km² em 1998. Endemismo marinho
de 18,2% na declaração de valor.
Organismo internacional
whc.unesco.org/en/list/1 -
UNESCO, Programa Homem e Biosfera. Ficha da Reserva da Biosfera
Galápagos, designação em 1984. Superfície publicada nessa ficha não coincide com
a do relatório de missão da IUCN de 2017.
Organismo internacional
unesco.org/en/mab/galapagos
Contagens de ilhas, hectares marinhos e percentuais de endemismo reproduzidos conforme cada fonte, sem unificação artificial.