O Parque Nacional Tsingy de Bemaraha protege um planalto calcário do oeste de Madagascar, cortado em agulhas — os tsingy — e coberto por floresta seca caducifólia. A proteção começa em 1927, como Reserva Natural Integral nº 9. O decreto que o torna parque nacional, no recorte atual de 157.710 hectares, é de 2011. A UNESCO o inscreveu em 1990; em 2023 o bem foi estendido e passou a chamar-se Florestas Secas de Andrefana.
Ficha do parque
Verificado em 11/09/2026- Nome oficial
- Parc National de Tsingy de Bemaraha Antes: Réserve Naturelle Intégrale nº 9, decreto de 31 de dezembro de 1927. A Madagascar National Parks ainda descreve, no portal, um trecho norte sob regime de reserva integral.
- País e região
- Madagascar — África
- Localização
- Região de Melaky Distritos de Antsalova e Morafenobe, antigo recorte da província de Mahajanga. O relatório periódico da UNESCO situa o bem entre 18°12′–19°09′ S e 44°34′–44°57′ E.
- Ano de criação
- 1927 Reserva integral em 31 de dezembro de 1927; decreto nº 66-242, de 1º de junho de 1966; seção sul convertida em parque nº 7 em 1997; decreto nº 2011-498, de 6 de setembro de 2011, como parque nacional de 157.710 ha.
- Área protegida
- 157.710 hectares Decreto de 2011 e portal da Madagascar National Parks. A UNESCO usou 152.000 ha na inscrição de 1990. O bem serial de 2023 mede 734.298 ha. Veja Por que a área varia conforme a fonte.
- Categoria de manejo
- Parque nacional — IUCN II A Madagascar National Parks ainda classifica parte do conjunto como categoria I (reserva integral) e parte como II (parque nacional).
- Bioma
- Floresta seca do oeste de Madagascar Floresta densa seca caducifólia sobre planalto calcário, floresta subúmida em grutas e depressões, vegetação xerófita nos tetos de tsingy e savanas.
- Administração
- Madagascar National Parks Antes, Direction des Eaux et Forêts. A UNESCO registra a gestão do bem serial com o governo de Madagascar e a MNP.
- Patrimônio Mundial
- UNESCO, desde 1990 Inscrito como Réserve naturelle intégrale du Tsingy de Bemaraha, dossiê 494. Em 2023 o bem foi estendido e renomeado Andrefana Dry Forests, dossiê 494bis, critérios (vii), (ix) e (x).
- Tipo de ecossistema
- Florestas e selvas
Da reserva integral ao parque nacional
A Madagascar National Parks e o cadastro de áreas protegidas de Madagascar coincidem no ato fundador: decreto de 31 de dezembro de 1927, criando a Réserve Naturelle Intégrale nº 9. O portal da MNP acrescenta a designação de monumento natural e sítio de interesse científico em 1939. O decreto nº 66-242, de 1º de junho de 1966, completa o regime da reserva, com 152.000 hectares — a cifra que a UNESCO usou na inscrição de 1990.
Em 1997 a seção sul, de 72.340 hectares, foi rebaixada de reserva integral a Parque Nacional nº 7, para admitir a visitação. O norte, de 85.370 hectares, permaneceu sob o regime mais estrito — é o que o portal da MNP ainda descreve. Em 6 de setembro de 2011, o decreto nº 2011-498 modificou limites e estatuto: o conjunto passou a parque nacional, com 157.710 hectares. O cadastro malgaxe registra também uma superfície cartográfica de 157.574 hectares — diferença de medição, não de decreto.
A UNESCO inscreveu a reserva em 1990. Em 1991 o Estado malgaxe a declarou patrimônio cultural nacional, segundo a MNP. Em 2023 o Comitê estendeu o bem a um conjunto serial — Ankarafantsika, Mikea, Tsingy de Bemaraha, Tsimanampesotse e as reservas especiais de Analamerana e Ankarana — sob o nome Florestas Secas de Andrefana.
Por que a área varia conforme a fonte
Três cifras oficiais medem recortes diferentes:
- 152.000 hectares — reserva integral na inscrição de 1990 e no relatório periódico da UNESCO, coerente com o decreto de 1966.
- 157.710 hectares — parque nacional no decreto nº 2011-498 e no portal da Madagascar National Parks. O mesmo decreto cita 73.943 hectares de zona-tampão.
- 734.298 hectares, com zona de amortecimento de 838.035 hectares — bem serial Andrefana Dry Forests, 2023. Bemaraha é um dos seis componentes, não o total.
Adotamos 157.710 hectares como referência da unidade de conservação atual e 152.000 hectares como referência do bem inscrito em 1990. O número de 2023 mede um arquipélago de florestas secas, não o parque sozinho.
Paisagens
A UNESCO descreve o Tsingy de Bemaraha como fenômeno geológico raro: um maciço calcário intensamente dissecado, atravessado pelo desfiladeiro do Manambolo, em forma de “floresta de pedras afiadas”, com pináculos de até 100 metros. O efeito que o dossiê destaca é o contraste entre o verde da floresta e o reflexo metálico do carste cinzento.
O cadastro malgaxe descreve o planalto de Bemaraha no eixo norte–sul, com escarpa leste de cerca de 300 metros sobre a planície e cota máxima de 934 metros no monte Tsiandro. No terço norte a área protegida cobre a largura do planalto; no sul, só a metade oeste. O clima é quente, com estação seca de sete a oito meses.
Ecossistemas
A Madagascar National Parks lista as fisionomias: floresta densa seca caducifólia sobre o planalto, floresta subúmida perenifólia em grutas e depressões, arbustedo xerófito nos tetos de tsingy, savanas e galerias subterrâneas com cursos sazonais ou permanentes. É floresta de ilha, evoluída em isolamento, no centro de endemismo de Melaky que a extensão de 2023 incorpora ao argumento do critério (ix).
A vegetação, no cadastro, forma mosaico com pastagens secundárias na porção leste mais alta, e cobertura quase contínua na metade oeste, em direção a Beanka. O fogo — para renovar pasto, abrir terra e por insegurança — é a pressão que a MNP nomeia em primeiro lugar.
Fauna e flora
Fauna
A MNP destaca, entre as espécies-bandeira do parque, o sifaka-de-decken (Propithecus deckenii), o camaleão Brookesia perarmata e a gecko Uroplatus henkeli. A UNESCO, na síntese das Florestas Secas de Andrefana, cita ainda o sifaka-de-perrier, o lêmure- mangusto, a águia-pescadora de Madagascar e o lêmure-lanoso-ocidental como espécies importantes do bem serial — não necessariamente todas confinadas a Bemaraha.
A ficha da FAPBM, reproduzida a partir de dados da MNP, fala em 12 espécies de lêmures, 100 de aves e 67 de répteis, a maior parte endêmica da região ou do próprio parque. São cifras de um sumário institucional, não de um censo desta redação.
Flora
A extensão de 2023 assenta o critério (x) nas florestas secas e nos matagais espinhosos: baobás, a maior parte das Didiereaceae, flamboyants, e linhagens antigas que desapareceram em outros continentes. Em Bemaraha, o que a MNP descreve no chão é a floresta seca sobre calcário e o tapete xerófito dos tetos de tsingy, com kalanchoes nos circuitos do norte.
Importância ambiental
Madagascar isolou-se o tempo bastante para produzir florestas que não se repetem. Bemaraha é o componente cênico e o primeiro núcleo inscrito desse argumento. A UNESCO trata o fogo, a caça, o comércio ilegal de fauna, a extração de madeira e a mineração ilegal como pressões históricas do bem serial; a MNP nomeia o fogo, a caça e acampamentos ilegais como pressões ativas da unidade.
O cadastro acrescenta o corte para construção e artesanato, a abertura de roça e a caça de lêmure associada a rito de colheita. Há espécie invasora registrada: Ziziphus mauritiana em pastagens secundárias. A taxa de desmatamento do conjunto Andrefana, segundo a UNESCO, caiu entre 2006 e 2016 — e o dossiê pede que o esforço de restauração não pare.
Patrimônios reconhecidos
Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1990, primeiro como Réserve naturelle intégrale du Tsingy de Bemaraha (dossiê 494). Em 2023 o bem foi estendido e renomeado Andrefana Dry Forests (494bis), critérios (vii), (ix) e (x):
- Critério (vii) — o carste de Bemaraha, os pináculos, o desfiladeiro do Manambolo e o contraste entre floresta e calcário. Os demais componentes da série, diz a UNESCO, não acrescentam atributos cênicos novos.
- Critério (ix) — centros de endemismo das florestas secas ocidentais, refúgios de oscilações paleoclimáticas; Melaky é o centro em que Bemaraha se insere.
- Critério (x) — biodiversidade endêmica e ameaçada das florestas secas e dos matagais espinhosos, inclusive linhagens antigas.
A MNP registra ainda a declaração de patrimônio cultural nacional em 1991. Não é título da Lista do Patrimônio Mundial.
Melhor período para conhecer
Não existe um mês universalmente melhor, e desconfie de qualquer texto que diga o contrário. O que existe são variáveis conhecidas, e entendê-las é mais útil do que receber uma data.
O cadastro malgaxe e o portal da MNP registram que, na estação chuvosa — de dezembro a abril — o acesso é difícil e grande parte da infraestrutura de visitação fecha. Isso é fato operacional da administração, não um juízo estético sobre a floresta.
Condições variáveis não são afirmadas neste guia. Fechamentos de circuito, de balsa e de setor são divulgados pela Madagascar National Parks, e podem mudar de um dia para o outro. Consulte o canal oficial antes de se deslocar.
Formas oficiais de acesso
A Madagascar National Parks e o cadastro malgaxe situam a entrada principal sul em Bekopaka, com centro de visitantes, e uma entrada norte em Antsalova. O acesso clássico parte de Morondava pela RN35 e pela RN8, com travessia de balsa no Tsiribihina e no Manambolo. Na estação seca há via norte pela RN8A a partir de Maintirano. O cadastro adverte: veículo de tração nas quatro rodas é necessário; de dezembro a abril o acesso se complica.
Os circuitos nomeados no portal — Andadoany, Ankeligoa, Andamozavaky, Manambolo, Berano, entre outros — são os que a MNP admite. Vários exigem equipamento de segurança em tsingy. O cadastro pede guia local recomendado pela gestão do sítio.
Não publicamos valores, horários nem pontos de venda. Ingresso, funcionamento das entradas e circuitos disponíveis são definidos e alterados pela Madagascar National Parks. A única fonte válida para esses dados, na data em que você for visitar, é o canal oficial indicado na seção Verificação e site oficial.
Regras de visitação
A unidade nasceu como reserva integral — o grau mais alto de proteção no direito malgaxe, segundo o relatório periódico da UNESCO — e hoje combina, no relato da MNP, categoria I e categoria II da IUCN. A visitação é uso previsto nos circuitos do parque, não na reserva integral histórica.
Na prática, e de forma estrutural, isso significa que:
- A circulação ocorre apenas nos circuitos e nas modalidades previstas pela MNP.
- Não é permitido coletar, retirar ou danificar plantas, animais, rochas ou qualquer elemento natural — o tsingy incluso.
- A caça, inclusive de lêmure, é pressão documentada, não atividade admitida.
- Fogo e acampamento só onde a administração autorizar.
- As orientações das equipes de campo e a sinalização em campo prevalecem sobre qualquer informação publicada previamente, inclusive sobre este guia.
Cuidados ambientais
Em um carste cortante e numa floresta seca sob pressão de fogo, o impacto individual se multiplica rápido. Os cuidados abaixo respondem ao que a MNP e a UNESCO documentam.
- Não alimente nenhum animal silvestre, em nenhuma circunstância.
- Permaneça nos circuitos e nas passarelas. Atalhos destroem vegetação de fenda e expõem quem caminha a um relevo que a UNESCO descreve como floresta de pedras afiadas.
- Não provoque fogo e observe os aceiros que a gestão mantém.
- Leve todo o seu resíduo de volta.
- Não introduza plantas, sementes ou animais.
- Respeite sítios sakalava e vazimba — túmulos e lugares sob interdito local que o cadastro e a MNP registram no maciço.
Nossa leitura ampliada desses princípios está no guia de planejamento responsável de visitas.
Acessibilidade
Informação não confirmada em fonte oficial. O portal da MNP classifica circuitos por dificuldade e descreve pontes e equipamentos de segurança, mas nas fontes oficiais consultadas não localizamos um documento público e atualizado que descreva de forma completa as condições de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida.
Optamos por registrar essa lacuna em vez de descrever condições que não pudemos verificar. Quem precisa dessa informação para planejar a visita deve procurar diretamente a Madagascar National Parks. Assim que localizarmos documentação oficial sobre o tema, atualizamos esta seção e a data de verificação.
Verificação e site oficial
Data da verificação: . Nessa data, todos os dados desta ficha foram conferidos nos documentos listados em Fontes.
Administração responsável: Madagascar National Parks — é o órgão a consultar para qualquer informação sujeita a mudança.
- Página oficial da unidade: Tsingy de Bemaraha no portal da Madagascar National Parks
- Cadastro de áreas protegidas de Madagascar: Parc National de Tsingy de Bemaraha, protectedareas.mg
- Ficha do bem na UNESCO: Andrefana Dry Forests, dossiê 494bis
Se você identificou um dado desatualizado ou incorreto nesta ficha, veja nossa política de correções. Registramos toda alteração relevante com data.
Fontes
-
UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial. Andrefana Dry Forests /
Tsingy de Bemaraha. Dossiê 494 / 494bis. Inscrição em 1990; extensão em 2023.
Critérios (vii), (ix) e (x). Área do bem serial: 734.298 ha.
Organismo internacional
whc.unesco.org/en/list/494 -
UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial. Rapport périodique, Cycle 3,
Section II — 152.000 ha na inscrição; 157.710 ha e 73.943 ha de zona-tampão no
decreto de 2011. Documento de gestão internacional
whc.unesco.org/document/216837 -
Madagascar National Parks. Tsingy de Bemaraha — história 1927–1997,
categorias I e II, 157.710 ha, fisionomias, espécies e pressões.
Órgão oficial
parcs-madagascar.com — Tsingy de Bemaraha -
Protected Areas of Madagascar. Ficha 53 — decreto de 1927, decreto
nº 2011-498, 157.710 ha, localização, vegetação e pressões.
Cadastro oficial
protectedareas.mg/landscape/show/53
Nomes científicos reproduzidos conforme a Madagascar National Parks e a UNESCO; nomes populares conforme uso corrente na literatura brasileira de conservação.