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CashCollate Parques nacionais do mundo
Ilustração original dos Sundarbans: dossel baixo de mangue sobre canais de maré, água barrenta em primeiro plano, ilhas planas ao fundo e um tigre em silhueta na raiz aérea.

Parques marinhos · Ásia

Parque Nacional de Sundarbans

Bengala Ocidental, Índia Criado em 1984 133.010 hectares

Ilustração original produzida pela CashCollate para este guia. Não é uma fotografia do local.

O Parque Nacional de Sundarbans é o núcleo do lado indiano do maior manguezal do mundo, no delta formado pelo Ganges, o Bramaputra e o Meghna. A reserva de tigres que o envolve é maior que o parque; o manguezal que o nomeia é maior que a Índia. Confundir esses três recortes — parque, reserva, delta — é o erro mais comum sobre este lugar, e é por eles que a ficha começa.

Ficha do parque

Verificado em 11/09/2026
Nome oficial
Sundarban National Park Notification nº 2867-FOR, de 4 de maio de 1984. A reserva de tigres e o sítio da UNESCO usam também a grafia Sundarbans.
País e região
Índia — Ásia
Localização
Bengala Ocidental Extremo sul do delta, nos distritos de South 24-Parganas e, em parte, North 24-Parganas. Fronteira leste com Bangladesh pelos rios Kalindi, Raimangal e Harinbhanga.
Ano de criação
1984 Parque nacional em 4 de maio de 1984. A Sundarban Tiger Reserve existe desde 23 de dezembro de 1973, uma das nove primeiras do Project Tiger.
Área protegida
133.010 hectares 1.330,10 km² no ato de 1984 e na ficha da UNESCO. É o núcleo da reserva de tigres de 2.584,89 km².
Categoria de manejo
Parque nacional — núcleo de reserva de tigres Floresta reservada sob o regime florestal de Bengala Ocidental e o quadro do Ministério do Ambiente, Florestas e Mudança Climática (MoEFCC).
Bioma
Manguezal de delta Maior área contínua de mangue do mundo, compartilhada com Bangladesh. A UNESCO estima cerca de 55% de terra florestal e 45% de zona úmida no bem.
Administração
Sundarban Tiger Reserve / Florestas de Bengala Ocidental Campo em Canning Town, South 24-Parganas. Política nacional: MoEFCC e National Tiger Conservation Authority.
Patrimônio Mundial
UNESCO, desde 1987 Bem natural, dossiê 452, critérios (ix) e (x). Não se confunde com “The Sundarbans”, o bem bangladês (dossiê 798).
Tipo de ecossistema
Parques marinhos · Florestas e selvas

Como o parque foi criado

A proteção florestal no 24-Parganas é do século XIX. A IUCN registra a notificação de floresta protegida em 7 de dezembro de 1878, os limites remanescentes em 1926, a floresta reservada da divisão de Basirhat em 1928 e a de Namkhana em 1943. O Project Tiger chegou em 23 de dezembro de 1973, com a Sundarban Tiger Reserve de 2.584,89 km² — uma das nove primeiras do país.

Dentro dessa reserva, o Santuário de Sajnekhali foi notificado em 24 de junho de 1976 (362,40 km²). O parque nacional veio em 4 de maio de 1984, pela Notification nº 2867-FOR, com 1.330,10 km² — o núcleo que a UNESCO inscreveu. Em 2007 foi notificado o Critical Tiger Habitat de 1.699,62 km²; em 2009, o buffer de 885,27 km².

A Reserva da Biosfera nacional data de 1989; a UNESCO registra a designação internacional em novembro de 2001. São camadas jurídicas empilhadas sobre o mesmo delta, com perímetros que não coincidem.

Paisagens

A reserva descreve o Sundarban como o maior delta do mundo, com mais de cem ilhas e um labirinto de rios, braços e canais. O nome, segundo o mesmo texto oficial, vem da árvore de mangue sundari (Heritiera fomes) e é lido como “floresta bela”. A linha Dampier-Hodges separa o Sundarban do resto de Bengala Ocidental. Ao sul está a baía de Bengala; a leste, Bangladesh.

A IUCN situa o parque entre os rios Matla/Bidya e Haribhanga/Raimangal, nos blocos florestais de Matla, Goashaba, Chhotahardi, Mayadwip, Gona e Baghmara. A altitude vai do nível do mar a cerca de 10 metros. A UNESCO descreve ilhas de maré, planícies de lama e uma zona intertidal que funciona como barreira de tempestade, estabilizador de costa e armadilha de sedimento e nutrientes.

O delta inteiro do Ganges–Bramaputra–Meghna é da ordem de 80.000 km² de sedimento, na avaliação da IUCN; o manguezal cobre cerca de 10.000 km² de terra e água. Quanto dessa floresta está de cada lado da fronteira é um ponto em que a própria ficha da UNESCO se contradiz: o texto breve diz “mais da metade na Índia”; a síntese posterior estima cerca de 66% no Bangladesh e 34% na Índia. Registramos a contradição. Não escolhemos um lado.

Ecossistemas

O bem é um manguezal de monção, sujeito a alagamento de chuva, à formação contínua do delta e à maré. A UNESCO estima 55% de terra florestal e 45% de zona úmida — canais, riachos e bocas estuarinas. A reserva afirma que o recorte indiano reúne mais de 60% da área de mangue do país e 90% das espécies indianas de mangue.

É o único habitat de mangue — junto com o lado bangladês — que ainda sustenta uma população significativa de tigres. A UNESCO o classifica como paisagem prioritária de conservação de tigre. A salinidade do lado indiano, diz a mesma ficha, vem sendo alterada pelo desvio de até 40% da vazão de estação seca do Ganges a montante; as consequências não estão inteiramente compreendidas.

Fauna e flora

Fauna

A reserva lista, entre as espécies ameaçadas do recorte:

  • Tigre-de-bengala (Panthera tigris tigris);
  • Gato-pescador (Prionailurus viverrinus);
  • Crocodilo-de-estuário (Crocodylus porosus);
  • Golfinho-do-ganges (Platanista gangetica) e golfinho-de-irrawaddy (Orcaella brevirostris);
  • Naja-rei (Ophiophagus hannah) e varano-d’água (Varanus salvator);
  • Tartaruga-batagur (Batagur baska), um dia dada como extinta;
  • Tartarugas marinhas oliva (Lepidochelys olivacea), verde (Chelonia mydas) e de-pente (Eretmochelys imbricata);
  • Dois caranguejos-ferradura — Tachypleus gigas e Carcinoscorpius rotundicauda — descritos pela reserva como fósseis vivos.

A reserva chama o recorte de “paraíso dos martins-pescadores”: 10 das 12 espécies do país ocorrem ali. Os manguezais são berçário de peixes e crustáceos da costa leste indiana.

Flora

A espécie que dá nome ao lugar, na leitura oficial da reserva, é a sundari (Heritiera fomes). A UNESCO descreve o conjunto como o maior manguezal do mundo, sem publicar, na síntese do bem, um elenco completo de espécies. Não completamos essa lista por fora.

Importância ambiental

O manguezal é defesa costeira antes de ser paisagem. A reserva o descreve como abrigo natural do hinterland contra tempestades, ciclones, marés de tempestade e intrusão salina. Os ciclones Sidr e Aila entram no próprio texto oficial como exemplos recentes dessa exposição.

As pressões nomeadas pela reserva e pela UNESCO são a fronteira internacional, a coleta de lenha, mel, caranguejo e pós-larvas de camarão-tigre, a pesca, o conflito com o tigre, o terreno instável, a salinidade alterada a montante e o risco de derramamento de óleo — capaz, diz a UNESCO, de atingir fauna aquática, aves e a própria floresta na maré alta. Entre 1975 e 1982, a ficha registra uma média de 45 pessoas mortas por tigre por ano.

Há também o que a reserva trata como vantagem estrutural: o perímetro é naturalmente demarcado, a área é descrita como livre de ocupação, o alagamento de maré duas vezes ao dia elimina fogo, e não há pastoreio.

Patrimônios reconhecidos

Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1987, bem natural, dossiê 452, critérios (ix) e (x), 133.010 hectares. O critério (ix) reconhece os processos de monção, formação de delta e colonização por mangue; o (x), o habitat de espécies raras e ameaçadas, inclusive o tigre.

Esse bem é o parque nacional indiano. O manguezal do Bangladesh é outro sítio — “The Sundarbans”, dossiê 798, inscrito em 1997. Não são um bem transfronteiriço único.

A Reserva da Biosfera (1989 / 2001) e a Sundarban Tiger Reserve (1973) são instrumentos mais largos. O parque é o núcleo; a reserva de tigres inclui santuário, floresta reservada, habitat crítico e buffer. Quem cita “os Sundarbans” sem dizer qual recorte está misturando escalas.

Melhor período para conhecer

Não existe um mês universalmente melhor. As variáveis que a documentação descreve são a maré — o recorte inteiro inunda duas vezes ao dia —, a monção e a temporada de ciclones no golfo de Bengala. Nenhuma delas se resume a um mês recomendado.

Condições variáveis não são afirmadas neste guia. Fechamentos por ciclone, maré ou manejo são divulgados pela reserva. Consulte o canal oficial antes de se deslocar.

Formas oficiais de acesso

A sede da Sundarban Tiger Reserve fica em Canning Town, South 24-Parganas, PIN 743329 — endereço publicado no sítio oficial. A visitação, quando admitida, ocorre em zona permitida da reserva, não no núcleo do parque como se fosse um passeio livre de mangue.

A leste está uma fronteira internacional. Os santuários de Halliday Island e Lothian Island, a oeste, e os santuários bangladeses a leste, não fazem parte deste parque.

Não publicamos valores, horários nem pontos de venda. Embarque, permissões e setores abertos são definidos pela reserva. A única fonte válida, na data em que você for visitar, é o canal oficial indicado na seção Verificação e site oficial.

Regras de visitação

O parque nacional é o núcleo de uma reserva de tigres. A visitação, quando existe, é uso indireto, nas zonas previstas — não no habitat crítico tratado como intangível.

Na prática, e de forma estrutural, isso significa que:

  • A circulação é náutica e restrita aos canais e horários autorizados. Desembarque fora do previsto não é visita: é infração.
  • Coleta de mel, lenha, caranguejo e pesca — pressões documentadas da população do entorno — não se transferem ao visitante.
  • Não é permitido perseguir, chamar ou alimentar o tigre nem qualquer outra espécie.
  • Pesquisa e filmagem profissional dependem de autorização prévia da reserva e, quando couber, do MoEFCC.
  • As orientações das equipes de campo prevalecem sobre qualquer informação publicada previamente, inclusive sobre este guia.

Cuidados ambientais

Em manguezal de tigre, com maré duas vezes ao dia e conflito documentado na franja, o cuidado não é recado de bordo: é a condição de a visita não somar mais uma pressão à lista oficial.

  • Não desembarque em ilha não autorizada. O tigre nada entre blocos florestais.
  • Não alimente nem chame a fauna — tigre, crocodilo, macaco ou ave de rio.
  • Leve todo o seu resíduo de volta. A maré redistribui o que se deixa.
  • Não colete madeira, mel, caranguejo nem planta de mangue.
  • Mantenha o motor e o casco longe das raízes e dos bancos de lama nos trechos de berçário.

Nossa leitura ampliada desses princípios está no guia de planejamento responsável de visitas.

Acessibilidade

Informação não confirmada em fonte oficial. Nas fontes oficiais consultadas, não localizamos um documento público e atualizado que descreva as condições de acessibilidade dos embarques e dos trechos abertos à visitação.

Quem precisa dessa informação deve procurar a reserva, pelo canal indicado abaixo.

Verificação e site oficial

Data da verificação: . Nessa data, todos os dados desta ficha foram conferidos nos documentos listados em Fontes.

Administração responsável: Sundarban Tiger Reserve, Departamento de Florestas de Bengala Ocidental, no quadro do MoEFCC.

Se você identificou um dado desatualizado ou incorreto nesta ficha, veja nossa política de correções. Registramos toda alteração relevante com data.

Fontes

  1. Sundarban Tiger Reserve. Estatuto legal: reserva de 2.584,89 km² (23/12/1973), parque nacional de 1.330,10 km² (04/05/1984), Sajnekhali, habitat crítico, buffer, fauna, pressões e sede em Canning Town. Órgão oficial
    sundarbantigerreserve.org
  2. UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial. Sundarbans National Park — síntese, critérios (ix) e (x), 133.010 ha, inscrição em 1987, divergência sobre a fração indiana/bangladêsa do mangue. Dossiê 452. Organismo internacional
    whc.unesco.org/en/list/452
  3. IUCN. Avaliação consultiva da nomeação: ato de 4 de maio de 1984, 133.010 ha, história florestal desde 1878, blocos e altitude. Organismo internacional
    Avaliação da IUCN, dossiê 452
  4. Ministério da Cultura da Índia. Ficha do bem: 1987, (ix)(x), 133.010 ha, Bengala Ocidental. Órgão oficial
    culture.gov.in/sundarbans-national-park

Nomes científicos reproduzidos conforme a reserva e a UNESCO; nomes populares conforme uso corrente na literatura de conservação.

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